o socorro é sempre àquilo que sinto
A viagem é sempre cá dentro,
ao tunel escuro da minha alma.
Faltam-me planuras lúcidas do deserto,
montes esmeraldas infinitos do Amazonas,
poentes encantatórios do Ártico
o mundo pequeno que me habita
é feito de mesquinhas sensações,
apreensões rarefeitas dos outros,
esboços virtuais do código genético da existência,
inflexões , circuncisões ,
cirurgias ao ego como se ele fosse o centro da culpa
e a génese da vida, do ar, da água, do fogo, da terra
que se degladiam lá fora como se houvesse solução
Eu sou a dúvida, cá dentro eu pergunto
e isso é tudo, a chave para o não
Ai se a pedra que chuto fosse pergunta e não obstáculo
podia deixar o poema na gaveta
ou deixar de ter
e se calhar não ser
procurar então a órbita centrífuga do tudo
agarrar a ideia do nada
e partir
Publicado por constalves em agosto 28, 2003 01:20 AM