agosto 28, 2003

discursos sóbrios 2


o socorro é sempre àquilo que sinto
A viagem é sempre cá dentro,

ao tunel escuro da minha alma.

Faltam-me planuras lúcidas do deserto,

montes esmeraldas infinitos do Amazonas,
poentes encantatórios do Ártico


o mundo pequeno que me habita

é feito de mesquinhas sensações,

apreensões rarefeitas dos outros,

esboços virtuais do código genético da existência,

inflexões , circuncisões ,

cirurgias ao ego como se ele fosse o centro da culpa

e a génese da vida, do ar, da água, do fogo, da terra

que se degladiam lá fora como se houvesse solução

Eu sou a dúvida, cá dentro eu pergunto

e isso é tudo, a chave para o não

Ai se a pedra que chuto fosse pergunta e não obstáculo

podia deixar o poema na gaveta

ou deixar de ter

e se calhar não ser

procurar então a órbita centrífuga do tudo

agarrar a ideia do nada

e partir

Publicado por constalves em agosto 28, 2003 01:20 AM
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