setembro 06, 2003

Meu caro diário

Este penar que sentes nas minhas palavras

não são o afecto que tenho aos outros,

são o registo dos dias, que por serem belos

e cheio de luz que só a tristeza e o infortúnio

podem datar a minha existência.

Os segredos que te conto não são dores

apenas peças com defeitos na máquina da felicidade.

Colheste-me também âmbares e ternuras

que são tudo o que quero ser

embora o hediondo tenha que ser morto

todos os dias depois da porta da rua da minha casa

A rua é a cidade e tudo aquilo que não somos

porque não cavamos com palavras

nem nos sustentemos das ideias,

mas juro que para ti diário, eu sou só palavra!

Publicado por constalves em setembro 6, 2003 03:52 PM
Comentários