Amador é mesmo assim:
sem hora para lá estar,
no sol da praça
em passo pequeno,
oscilando o corpo,
derretendo o vazio no calor dolente do empedrado.
Os velhos cosendo as palavras de volta do edital de necrologia,
os anúncios das lojas, despropositados por não ser dia de semana.
A cidade oca de gente permite a descoberta
e o poeta deixa palavras nos vácuos da regra.
Os incêndios estão longe , o médio Oriente
não passa no videowall que não existe na praça,
as minhas tragédias estão em casa e na internet
e cá fora não tenho pressa.
Decreto a felicidade por minutos
e a rua cresce por quilómetros,
as árvores que não existem na rua
abanam a sombra fresca à procura de mim e da minha bonomia...
acho que sorrio e fecho os olhos:
Setembro traz-me sempre um doce fim!