setembro 13, 2003

Amador


Amador é mesmo assim:

sem hora para lá estar,

no sol da praça

em passo pequeno,

oscilando o corpo,

derretendo o vazio no calor dolente do empedrado.

Os velhos cosendo as palavras de volta do edital de necrologia,

os anúncios das lojas, despropositados por não ser dia de semana.

A cidade oca de gente permite a descoberta

e o poeta deixa palavras nos vácuos da regra.

Os incêndios estão longe , o médio Oriente

não passa no videowall que não existe na praça,

as minhas tragédias estão em casa e na internet

e cá fora não tenho pressa.

Decreto a felicidade por minutos

e a rua cresce por quilómetros,

as árvores que não existem na rua

abanam a sombra fresca à procura de mim e da minha bonomia...

acho que sorrio e fecho os olhos:

Setembro traz-me sempre um doce fim!


Publicado por constalves em setembro 13, 2003 11:52 PM
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