Ai se houvesse uma tocata
à frente da minha porta!
pastéis de bacalhau e um copito,
as viúvas a sorrirem à janela,
um palhaço feito por um vizinho.
Se não houvesse silêncio por baixo do som dos pneus dos carros
que passam foribundos ao pé da minha janela!
Se não houvesse palavras descobertas,
e os sons delas nas estrelas dos meus olhos,
crianças comendo romãs rindo da comida de brincar,
mães soltas dos tachos, dançando com as saudades vazias
e ainda aquele olhar...
Um bairro de fartura como eu tenho na memória da fantasia,
fogueiras violentas,
rios escorreitos,
chuvas para tolos de uma vida que começa no coração!
Eu sei que nunca seremos mais nada
do que pó
de que quadradrinhos de BD,
homens de brincar
as revoluções estão proíbidas
e quase tudo é infame sem voz!
o dinheiro é de prata não de oiro
e de dia ou de noite, mata!
Publicado por constalves em setembro 21, 2003 11:03 PM