outubro 02, 2003

No café

É de silêncio a pedra
como um cipreste seco na beira do cemitério

os mares são a mole do som
como a extensão da voz de quem a não tem

o que os separa são equações matemáticas, palavras e sentidos
tudo famílias incestuosas embora não se sabendo a paternidade


para além dos astronautas, de Marte, do Olimpo e da fé
está a fonte perversa de que todos querem beber

o silêncio e o som são moléculas das ideias
se é que a ideia é mais que tudo


só fica a birra do que pensa, porque tudo é atmosfera,
redoma, halo

e se tudo não se soubesse e a pergunta só um virus
pelo menos enquanto bebo o café?


Publicado por constalves em outubro 2, 2003 10:35 PM
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