outubro 13, 2003

o voo enrolado da borboleta branca da noite



Starry Night--Vincent van Gogh


o voo enrolado da borboleta branca da noite
é como uma valsa sem tempo
que percorre todos os passos das ruas, na noite, em Leiria
é, pode ser, um pequeno fragmento de pólen da flor ou do dia
a graça de existir, apesar de rídicula, está nestas frestas a que chamanos momentos

a borboleta enrola mais o voo no adro da sé
e a luz faz o degredo das pedras que só os românticos sentem
Leiria é a montanha que todos fazemos crescer

o tempo circula nas vielas como o vento nos cedros
fazendo a noite ar sem sufoco
as bicas nas esplanadas são a glote dos urros e segredos
a cal branca das paredes e dos muros famintos
a aguarela do precípicio e o platinado das saudades

o incrível é que a borboleta continua voando
e escreve a poesia toda das paisagens e das lágrimas

eu só sou aquele que levanta e baixa os vidros eléctricos do automóvel
as sílabas, são o meu canto herético
por tanto amar
e por fazer ar com o respeito e o silêncio

Publicado por constalves em outubro 13, 2003 10:28 PM
Comentários

Tenho visitado regularmente este teu blog. E tenho gostado do que tenho lido.Este poema é muito bonito.Parabéns.
Um abraço

Afixado por: amélia pais em outubro 13, 2003 11:31 PM