outubro 16, 2003

Há dias em que só resta o poema

Há dias em que só resta o poema

quatro cadeiras vazias
e um desespero pelo futuro

há um bar da noite agrilhoado ao silêncio
e todas as luzes da rua são cordas ou amarras ácidas

e o dejecto é o próximo que arde na lua
tudo foi preparado na inocência da luz


e os barcos em que remamos não encontram a saída
A tragédia existe hoje
nos espaços entre as pernas e das mesas


A prostituta ainda come a sandes na pequena kitchenette
e já a rua tritura os verbos e as palavras

o poeta é um olmo oco nas esquinas dos pátios
e os sacerdotes dizem preces aflitas á solidão ou a Deus


Tudo é um mosaico esburacado como uma rede ferrugenta

Não resta a solução
resta a notícia da voz
que não se ouve

porque hoje só construímos distância


Publicado por constalves em outubro 16, 2003 11:15 PM
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