
Há dias em que só resta o poema
quatro cadeiras vazias
e um desespero pelo futuro
há um bar da noite agrilhoado ao silêncio
e todas as luzes da rua são cordas ou amarras ácidas
e o dejecto é o próximo que arde na lua
tudo foi preparado na inocência da luz
e os barcos em que remamos não encontram a saída
A tragédia existe hoje
nos espaços entre as pernas e das mesas
A prostituta ainda come a sandes na pequena kitchenette
e já a rua tritura os verbos e as palavras
o poeta é um olmo oco nas esquinas dos pátios
e os sacerdotes dizem preces aflitas á solidão ou a Deus
Tudo é um mosaico esburacado como uma rede ferrugenta
Não resta a solução
resta a notícia da voz
que não se ouve
porque hoje só construímos distância