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sabes diário
a noite é uma face
lisa como uma peça inteira de seda
onde me deito e encontro nos sonhos
os dias, as peripécias, onde distingo as cores
onde refaço o formidável entretanto destruído pelos tons e pelos deleites
é também contigo nas horas altas do medo que faço a alquimia dos verbos que verto nas manhãs
e como é face sempre a beijo com a água das mãos que aplaudem os santos como francisco que era só hoje
e desprezo o verso e o alongo como circunstância do poema como forma não de dizer o indízivel mas provocar o tempo
e
ser
mi
nú
scu
lo
como a sílaba anã que como viverá ela de noite numa cama de cardeal e sou a pergunta que não tem resposta e não quer mais o que é que
e não dizer fim como a noite
que não é eterna
mas não tem fim