outubro 23, 2003

pouco há a dizer


pouco há a dizer:
que o fim está próximo
que tudo se desfaz no silêncio da melancolia

tudo se repete de novo:
a simbiose das árvores com o vento
as chuvas com os rios


embora haja pouco a dizer e que tudo se repete
eu nunca descubro o segredo que conta o depois do fim

é que a terra que é também o meu corpo não recebeu ainda a semente reveladora do começo
irei como tudo o que é neste mundo até ao fim da escuridão decompondo-me na melopeia das palavras
dispersas no vento de Outono
haverá fim?
farei as preces ainda com os olhos fechados

Se houver depois o amor e ainda a Primavera
saberei o que é o Paraíso
como se de um sonho se nascesse

Será sempre assim?

Publicado por constalves em outubro 23, 2003 11:29 PM
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