outubro 25, 2003

Sem assunto


Sem assunto


o brilho da chávena de café
o cigarro proíbido e fatal
a cigarra agora misantrópica longe para lá dos arrabaldes
e o segredo da manhã
nos gestos soltos das crianças ao redor das mesas da cafetaria

faltam talvez os reflexos nos espelhos do estabelecimento
o meu olhar não os vê

os fantasmas que são as imagens que estão no poema que se encravou no cerebelo do poeta

o desespero da minha língua que cerceia as palavras é a luta que atiro pela minha felicidade instantânea
hoje não quero os outros

os azulejos beje da parede são a aguarela do meu insucesso

o casaco cobre-me como um bicho,

entra e sai gente
de mim, do poema, dos pratos dos bolos

o brilho da chávena de café
o cigarro proíbido e fatal
a cigarra agora misantrópica longe para lá dos arrabaldes
e o segredo da manhã


Publicado por constalves em outubro 25, 2003 03:44 PM
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