Sem assunto
o brilho da chávena de café
o cigarro proíbido e fatal
a cigarra agora misantrópica longe para lá dos arrabaldes
e o segredo da manhã
nos gestos soltos das crianças ao redor das mesas da cafetaria
faltam talvez os reflexos nos espelhos do estabelecimento
o meu olhar não os vê
os fantasmas que são as imagens que estão no poema que se encravou no cerebelo do poeta
o desespero da minha língua que cerceia as palavras é a luta que atiro pela minha felicidade instantânea
hoje não quero os outros
os azulejos beje da parede são a aguarela do meu insucesso
o casaco cobre-me como um bicho,
entra e sai gente
de mim, do poema, dos pratos dos bolos
o brilho da chávena de café
o cigarro proíbido e fatal
a cigarra agora misantrópica longe para lá dos arrabaldes
e o segredo da manhã