A morte do verbo
( à Rita Azevedo)
por Constantino Alves e José Gil
O colar dos olhos desce
na cortina da Tabacaria.
Na palavra está o vento
está a cor
O livro é o verbo fechado.
Os meus olhos nas palavras matam o verbo.
Só nos outros está o que já não existe aqui.
O paradoxo é o nosso diálogo sem palavras
As mãos, umas sobre as outras são também o verbo
morto ou vivo
Os cigarros continuam a saír da tabacaria, as pessoas, sem chapéu,
cumprem o prometido nos passos lentos atá às casas, às coisas
porque a rua continua sem festa e o verbo está morto
Fumar MAtA
O tabaco mata, a realidade da tabacaria cortada à faca
a imagem de um poema
absurdo, absolutamente morto.
Hoje como se me oprimisse
escondo a realidade do maço
no fundo do que pretendemos
representar, dálias e rosas
no colar onde o verbo
morre. Com todos os anjos
repartidos. O tabaco mata
o verbo morre também