outubro 27, 2003

em tua memória

em tua memória


jazes morta
falecida da cal das direcções contraditórias
não podes ouvir um Santana prodigioso no cimo da nossa falésia
não podes sentir a tua carne na minha
não podes ouvir o silêncio da valsa

as baleias e os pássaros nos Açores fazem da própria vida uma coisa bonita
e a excelência da palavra de Nemésio faz da saudade uma árvore de verde imaculadamente sempre

jazes morta
aqui nos ciprestes dos meus lábios
e porque é que é que o vento da memória nos traz sempre para este campo de trevos


se a tua dor fosses tu
podias sentir o pulso do meu sangue beber a minha água zigurate chuva tropical amor


nas reveses dos rios encontram-se as almas dos poetas guardadas por estridentes sons de guitarras verdes do mais puro rock
a tua falta é simplesmente a pomba que rompe o céu na direcção do espaço bárbaro de deus

o abraço que um dia te darei será como a Julieta morta mas o punhal que te irá porventura tirar a vida cobrir-se-á de vergonha e falhará o alvo
prefiro morrer na minha hora mas eu quero que tu vivas mais.

Publicado por constalves em outubro 27, 2003 10:51 PM
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