em tua memória
jazes morta
falecida da cal das direcções contraditórias
não podes ouvir um Santana prodigioso no cimo da nossa falésia
não podes sentir a tua carne na minha
não podes ouvir o silêncio da valsa
as baleias e os pássaros nos Açores fazem da própria vida uma coisa bonita
e a excelência da palavra de Nemésio faz da saudade uma árvore de verde imaculadamente sempre
jazes morta
aqui nos ciprestes dos meus lábios
e porque é que é que o vento da memória nos traz sempre para este campo de trevos
se a tua dor fosses tu
podias sentir o pulso do meu sangue beber a minha água zigurate chuva tropical amor
nas reveses dos rios encontram-se as almas dos poetas guardadas por estridentes sons de guitarras verdes do mais puro rock
a tua falta é simplesmente a pomba que rompe o céu na direcção do espaço bárbaro de deus
o abraço que um dia te darei será como a Julieta morta mas o punhal que te irá porventura tirar a vida cobrir-se-á de vergonha e falhará o alvo
prefiro morrer na minha hora mas eu quero que tu vivas mais.