outubro 28, 2003

PAI


PAI
por José Gil


há estes dias pai em que escrever é tirar sangue
dos acentos tónicos das palavras a frio


vivo e revivo nelas como tu
sementes de emigrante na internet

trago contigo malas e sacos rotos por
onde se podem construir sonhos e carinhos

Pai

no céu também se fala este português
raro e puro?


Pai és o meu Buster Keaton o meu Chaplin
e Lisboa das mil e uma luzes é a tua guitarra

Nunca me senti tão ridículo a escrever um poema
porque verdadeiramente só a ti te amo

Eu sei que és jardineiro espacial ainda

plantas alfaces espaciais em Marte e na Lua
culturas biológicas para os nossos astronautas

construíste mesmo um mercado onde Beethoven e Bach dão
pão aos emigrantes, aos rejeitados, aos excluídos
eu sei que tocar piano para ti com mãos de anjo sempre
é fácil e será hoje Chopin antes da chuva, em Faro

na Av 5 de Outubro nºa com a estrada de Olhão

Pai
eu espero enviar-te,daqui a pouco,a ultima dos rolling Sytones e

Pai
quando dizem que os anarquistas não amam a família

ambos nos amamos pai e as violetas são verdes
nas minhas lágrimas, em todos os dias do ano

se não fosse por ti nunca escreveria

Nada há

pai

melhor que estarmos de mãos dadas
descendo de branco a liberdade das avenidas
ou tocando tamborete nos correctos .Eu farei de
palhaço pobre como sempre tu de musico até
encontrarmos aquela estrela .A que sempre todos
procuramos desde que nascemos.O sorriso

a gargalhada da criançada

oh pai dançaremos até lá de olhos fechados e felizes
como uma família cristã, hippie e comunista

se uma família não é isto

que será uma família amada pai?

eu sei que é pouco mas ciganos somos e seremos

siempre
pai

Publicado por constalves em outubro 28, 2003 08:37 PM
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