
o golpe
há feridas na alma
quando o golpe se consome
o golpe é a lâmina dos teus dedos
que agem indistintos do ácido das chuvas
toda a água no meu corpo é o teu golpe
desferido com uma simples sílaba do teu coração
o toiro que me habita fecha os cornos para a terra
buscando a piedade da tua pele que avisto em seda no meu recanto de sentimento
desfere o teu golpe
não matarás a memória que está presa na praia
o mar longo e sem destino ainda somos nós