
comunhão
só quando formamos o círculo com as nossas existências definidas e separadas
podemos dizer nós
para que a carne tenha explicação.
cruzamos os silêncios e os nossos sons na festa da comunhão
e essa festa é a descoberta do sentido do fim e do princípio
com os nervos do olhar e do tacto
temos tudo a ganhar na erupção da alma grupal
para que o gelo e o tempo sejam apenas metamorfoses do vazio
na verdade não fora a morte e os buracos negros
toda a vida nascida podia muito bem ser a festa orgíaca do Universo
mas isso que importa
para lá dos ilimites do tempo e do espaço estou certo que existe
qualquer número gordo potenciado a mil complexidades cada vez mais brilhantes uma que outra
só podemos ser uma tentativa
absoluta e inexperiente
totalmente em nós, cruzados de corpos e de troncos de árvores
com as línguas formidáveis buscando a água de tudo
mas estou em crer que os buracos negros são secos
Publicado por constalves em novembro 4, 2003 03:56 PM