
Caro diário 7/11/03
queria falar-te do cinzento
ou das cores que nunca são
dos espaços entre as palavras
das fendas dos olhares
são o refúgio entre as horas
(e no poeta são o futuro)
dos que não vêem e que mergulham no escuro
o intervalo onde não crescem àrvores
mas se fazem rápidas as sementes
pequenos espaços de garças e de cisnes a preto e branco
que migram no tempo e fazem tempo
que são gritos silentes e transparentes
que tatuam na alma o claro e o escuro
donde se vê o que podemos ver
onde rasgamos o limite
onde vivemos sem viver
e depois choramos
onde fazemos o murro
e só sonhamos
onde dizemos distante
e o que é a vida é só esse instante
longe do que amamos
quase sempre perto do trivial
nessas horas
onde as cores são só cinzento
as cores distintas são só reclame
o que se vive não tem cor que se chame