
Lisa Fittipaldi
um fio da noite
deixo que a noite caia devagar
nos olhos pesados da chuva
sigo a rota do lume
nas horas cheias de amor
e prometo o ar de amanhã
nas colchas pesadas do tempo
sigo com um dedo crespuscular na tua pele leve e inconsciente
a tua espera é
o meu tempo, são os meus olhos de terra húmida onde crescem ventos de chamas
o silêncio ocupo-o com os poetas amigos da luz
que me dão pão macio de palavras
onde te posso escolher entre um trigo claro e quente
no teu beijo já antigo percebo os mundos que colidiram e fizeram brilhos em todas as estrelas
e não quero conhecer outro firmamento
a noite depois de caída
faz nostalgias nas rugas das mantas de um Inverno terno
todas as letras do livro de poemas
foram dormir nos verbos que pairam em todas as lareiras das almas
e as palavras sumiram deixando os sonhos nas gentes
o nosso amor começa no caminha indefinido
como a noite sem meta
é um fio quente que une as casas e faz sentido ao vinho
e não quero a lúcidez da manhã
sem ter bebido toda esta adolescência da noite
onde estás, onde estás