
os nazis irritam-se
para lá destes muros depois dos prédios mesmo magníficos
para lá do estádio de grafite colorida depois das estradas
estão dias formidáveis feitos de árvores frondosas e melopeias de vendavais
há pastores e queijos brancos animais corpolentos serpentes cantantes e gentes
há também lá deitadas as esperanças atiradas dos corpos que circulam circunspectos na cidade agravada
as bicas nas bandejas e as torradas amanteigadas são os retratos de saudades dos nossos sonhos longínquos
o cinzentos dos olhos dos nossos velhos são a ciência dos que não têm nada a quem nós não fazemos amizades
os gatos nas casas são o medo das florestas que os medrosos donos têm dos dias que estão longe
as palavras guardadas nas bocas dos gerentes são o ar que nos falta e ainda os sorrisos das esposas
para lá há dias formidáveis como presas agendadas de políticos camarários
Deus não dorme nas igrejas e vive sonâmbulo nas estrelas testemunhas
o nariz indica a frente e todos seguem em fila indiana
esquece-se a urgência da sobrevivência e da dignidade perdida
fazem-se blogs e não se dá pão à velha
os directores são os piores e derretem-se nas ordens
os policias apercebem-se mas contam sempre as moedas
os nazis irritam-se
e os peidos florescem
não há gritos
Muito bonito, Constantino!
Posso roubar um dos seus poemas para colocar no meu blog?