
as árvores consomem-se em nós
A António Ramos Rosa , Mário Césariny, José Gil e Jorge Vicente
as árvores consomem-se em nós
nos seus olhos indíziveis para dentro dos bolsos dos nossos pulmões
todas as braças das suas pernas estão quentes no gelo das nossas mãos
a procura subterrânea das raízes abraçam-nos as gargantas do nosso tempo
e há rins e pêlos brancos que gozam de folhas de céus verdes
chupa-se a partir das unhas o lúcido das copas
tudo isto é o nosso tempo de televisão
não se sai da Pastelaria sem escamas de cascas de troncos cilindrícos e silentes
A manicure omnívara é o Papa que rouba nervuras nos silêncios da nossa voz
e o sacrilégio sou eu com corpo de betão faminto de bétulas impossíveis e distantes
eu estaria morto
se a cidade não roubasse desamaldamente o bosque encantado de ventanias reais
e há o Gil que não tem árvores
e as tumbas do Jorge são plátanos inteiros estragando esófagos
e o Ramos Rosa brinca de seiva depois de morrrer
e o Cesariny é imortal nas clareiras das florestas depois de isto e daquilo
e o fim é pedido
e as árvores dizem não