
Kenna Doeringer
todas a pedras que me atiram são cadáveres
sete palavras que figuram o meu silêncio
outras mais são a minha ofensa
e toda a minha pele está na água fria
e ainda se ergue o meu carinho pelas flores e as mulheres
três palavras são menos que sete
e são ainda mais que o meu silêncio, porque choram
os ombros prometem a garganta como uma palavra erguida
só me sonho nos pombos de Londres
entre a espuma da morte em mim incluída
vingo o que fui com todas palavras escritas
nos culpados que estão fora da pele
prometendo o vício do dinheiro
em troca do egoísmo
não tenham pena de mim a noite seca é o meu comércio de sucesso
quem ri no fim sou eu no cavalo escaldante do poema
todas a pedras que me atiram são cadáveres