
Era preciso que hoje houvesse um Alberto Caeiro
Era preciso que hoje houvesse um Alberto Caeiro
para lá dos montes e das casas
dos discursos e das metáforas
dos riscos dos sapatos do chão
dos penteados e das promessas
um pagão impróprio para os deuses
e para as mentes roxas dos sonhos
que percorresse o caminho da urbe
e dissesse que o rei vai nu a toda a gente
que professasse com o seu olhar
um discurso do possível natural omisso destes dias
Que nos contasse a bruma extensa dos campos
como um retrato falado
pois os nossos ouvidos não ouvem
para que se visse e chegasse
para sempre ficasse no rebanho da colina que é um supermercado
e houvesse a ironia silente
que desfizesse o feito
e o dito por não dito
e fosse e ficasse
Publicado por constalves em novembro 22, 2003 08:49 PM