novembro 28, 2003

o jogo do teatro


o jogo do teatro
(Em homenagem a ninguém)

contra-regra carrega a pluma
enquanto arde o poeta na língua do actor
há todo um mundo e ninguém que se enamora nas nuvens dos telões
o espectáculo pode esperar no sublime do inefável
mas o teatro é toda a terra por lavrar
nos sábios e nas palmas dos espectadores
Césariny era também teatro e apenas a solidão era o público
ou o silêncio estranho dos halos das multidões mudas disformes e pretas
há um teatro africano a nascer que é todo o firmamento da sobrevivência do homem
por quanto tempo Portugal será ainda teatro?

os tablados de Gil Vicente continuam guardados nas caves das fanílias
os actores efémeros rasgam-se nas gargantas das rendas de aluguer das casas
e o nosso teatro é betão
mas há todas as estrelas a derramarem-se nos pianos das orquestras
procurando a carne das personagens
fazendo Tartufo na pedra das palavras


o poema virá depois nos diálogos do afecto

Publicado por constalves em novembro 28, 2003 11:30 AM
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