novembro 29, 2003

há tanto tempo que o sábado não era assim


há tanto tempo que o sábado não era assim

há tanto tempo que o sábado não era assim

com lágrimas enunciando o mar
com a água no peito das almas

a serena bondade ainda esquecida

mas as bicas e os cestos das compras
crescendo no mosaico do dia
lembram-nos o ferro do corpo áspero

eu vejo as nuvens com a certeza
nas dúvidas ponho o café circunflexo


mas é sábado, e ele chega explêndido
como o ar que nunca respiro

tanta dor que agora é alegria
por ver um braço num braço
fazendo poesia


é Portugal da palavra que se expande
nas glotes
e tudo é caminho que se percorre


não é tudo este sábado
mas estou vivo para contá-lo

e ele chega com sumos de maçãs por inventar

gostava de ir nestas palavras até si meu leitor
e fazer aí, na sua casa
o Zigurate infinito da sua felicidade


na rua, neste sábado aberto, quero dar o soco,
o último,
na mesa


Publicado por constalves em novembro 29, 2003 10:38 AM
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