
há tanto tempo que o sábado não era assim
há tanto tempo que o sábado não era assim
com lágrimas enunciando o mar
com a água no peito das almas
a serena bondade ainda esquecida
mas as bicas e os cestos das compras
crescendo no mosaico do dia
lembram-nos o ferro do corpo áspero
eu vejo as nuvens com a certeza
nas dúvidas ponho o café circunflexo
mas é sábado, e ele chega explêndido
como o ar que nunca respiro
tanta dor que agora é alegria
por ver um braço num braço
fazendo poesia
é Portugal da palavra que se expande
nas glotes
e tudo é caminho que se percorre
não é tudo este sábado
mas estou vivo para contá-lo
e ele chega com sumos de maçãs por inventar
gostava de ir nestas palavras até si meu leitor
e fazer aí, na sua casa
o Zigurate infinito da sua felicidade
na rua, neste sábado aberto, quero dar o soco,
o último,
na mesa