
É bestial sentirmo-nos assim
comendo maçãs coçando a orelha
bocejando "pra fora cá dentro"
empoleirado em versos formiga
crescendo em alter-ego
recitando ar e ideias
lavando a pele poluída de escárnio
fervendo em ócio
esquecendo
olha Constantino, onde estão agora os teus poemas da guerra e da fome
e da pobreza epidémica
onde está o horror do sangue que coalhava na garganta
o grito da revolta?
-tudo tem o seu lugar é preciso aproveitar o dia
deixar o cinzento à porta procurar o gozo na ideia
o mundo é redondo e a sopa come-se toda
e depois afinal só se preocupam com os outros quem não serve para mais nada.
Pois, o poema, é mais importante essa urgência
habituamo-nos à desordem, à ineficácia, á incogruência
a utopia degenera no seu próprio significado
a luta está democráticamente condenada
e os outros gritam?
que interessa os outros....
promete-te a felicidade, a meta...
reflecte e ousa!
a divergência, o eufemismo da opinião
a opinião, o leito da concórdia...
prefiro raspar a pele depois do banho
depois do banho e da barba