dezembro 13, 2003

tudo o que vejo fala de mim.

tudo o que vejo fala de mim.

tudo o que vejo fala de mim.
E isto e só falar,
as ruas, os húmidos dos vidros, as centopeias das paredes da minha deportação.
eu não estou no lugar, nunca verdadeiramente me encontro cá
há um espaço não ocupado que não ocupo, portanto.

Mas tudo fala de mim.
a própria existência das coisas de fora são eu mesmo, mim.
Há um filósofo qualquer que em qualquer momento falava assim
e eu só tenho mais um litro de cerveja e um litro de futuro gastos já.


tudo fala de mim, no oblíquo das ruas e na achega das luzes bizarras
das ruelas, tudo é esventrado neste eufemismo do meu eu colidindo com as matérias que designamos coisas,
coisas sempre coisas, soltas, que formam a ruinosa realidade fora de nós.
o exterior somos nós, com absinto ou cerveja. E nós somos isso , lá de fora
sentidos e reunidos á volta do eixo do nosso eu, sim seremos sempre o nosso centro
seremos sempre a força centrífuga e centrípta do que conhecemos e vivemos.

Tenho sonhos como todos vós, apenas.

numa rua pequena há um yoggi, um fantasma e um diabo
e há palavras.
o gozo perco-o no dislate da comunicação, nos versos, na ode.

E tudo é uma ode quando sentimos a doce dependência
da existência.

o Fantasma não fala e não mete medo.
o diabo é negro e meu amigo. a morte visita-me
Soltam-se os gatos e os cães.
O sangue corre como um sultão arábico por entre o adultério.


As palavras prendem o medo, ficarei só, erecto nas árvores que não conheço, que nunca conhecerei.
A vida perece aqui, e sou só eu que falece. E o que mais importa?

A vida se calhar é só esta prece...descosida de palavras enleadas....

falta-me o álcool para o fim do poema.
o yoggi aparece, desce da tipóia funesta.

haverá flores num poema que lerei.
haverá perdão aqui ou ali.

Mas não perdoarei o que não sonha e não grita.


Existirei amanhã. É a promessa que farei no sexo.
Adeus, é uma última palavra.


Publicado por constalves em dezembro 13, 2003 02:32 AM
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