
a vulgaridade dos corpos
podemos também ver assim:
pelo diâmetro da existência
trocando as pessoas por corpos.
Pode até ser a mais séria das atitudes
comprrender que muitos são só corpos
e o mundo um enorme matadouro.
Quantos permanecem no sonho e fabricam a ideia?
Adia-se a existência por troco da mortalidade,
cumpre-se o corpo.
è certo que só podemos erguer a matéria
e continuamos espalmados às paredes
de tudo o que se sabe ainda ninguém levantou a imortalidade
da existência
do sublime e determinante eu ainda não se fez a promessa dos sonhos
se calhar o futuro será sempre tarde
e as manhãs um jogo inocente
faremos herbários com o silêncio da irreverência
cuidaremos dos jardins dos poemas com lágrimas no canto dos olhos
seremos sempre um segredo inefável e estranho...
podia estar bem disposto e acreditar...
mas o relógio Górdio do meu corpo dita a morte
o diabo depois do poema escrito baba-se do escárnio que me atira todo o dia
há mulheres belas ainda
o milagre pode começar a qualquer momento!