
entre rostos e palavras
entre rostos e palavras a erecção do tempo
como um vento
como uma brisa feita de seda
que nos dá a fresca existência
como um puzzle que se esclarece
que nos convida à ciência da solução, da conclusão
concluímos com a pele quente dos outros próximos de nós
uma flor na braça despida da árvore
e nós erguemos também um Inverno
mas sabemos ter as palavras quentes nos olhos e nos lábios
para os outros e para nós
O natal sempre existiu
a devoção só agora começa em mim
porque há rostos e palavras no mar
e o mar tinha coberto a cidade
e há um epicentro no poema
que extingue a memória longínqua
dos sacríficios sem razão
porque há rostos e palavras
e há um tempo que só os homens lêem
e era um desperdício não contar as horas na lareira
com a promessa dos rostos e das palavras
e há um mar sempre presente
trazido gota a gota nos olhos das mulheres e das meninas
e nos ombros dos homens
que enleia a ciência, os lábios, a ternura
e desfila o tempo naquela imagem fixa
de rostos e palavras
como o começo da vida.