
Robert Motherwell
já não voo
já não voo.
os pinheiros sucedem-se
um atrás do outro
como o tempo
como a música, nota após nota
as nuvens vêem
atrás umas das outras
como os outros
um de cada vez
como num xadrez
lance após lance
já não voo.
tudo se sucede
com o seu espaço
o meu espaço também é tempo
agora vejo cada pinheiro
cada homem
cada mulher
cada criança.
depois o mar
e ainda o mar é o
que não tenho
o mar é o tempo cruzado e trocado
é o voo
que já e ainda não tenho.
Nestas promessas dos meus passeios
a S.Pedro de Muel
não há certezas,
só o encontro com o tempo,
o sucedâneo do meu verso
no poema do sono
Acordado não voo,
continuo no caminho
tenho um destino.
Na verdade por alguma coisa
o mundo é redondo,
para que o percuso
seja infinito
e o meu destino eterno.
Sem asas
o fio
dá lugar
ao sítio
um sítio é um tempo sem distância