
uma morte anunciada
o mar que se encontra aqui
é toda a dor que me inquieta
perdem-se as algas vermelhas que seguram a memória
toda a extensão do oceano
larga-se num futuro inebriante mas difuso
estou a morrer
pelo canto da minha voz no poema volátil da existência
pela a idade, pelo mestre sem rosto
tudo é gelo na serenidade deste silêncio
agora sei que o mar também arde na morte
na praia, só o meu corpo e a água
e só o meu olhar caminha dolente na infância
a memória crava-se na areia
o que vi ficará no retrato do poema
como dentro de uma garrafa perdida no mar projectando-me noutro silêncio