janeiro 07, 2004

uma morte anunciada


uma morte anunciada


o mar que se encontra aqui
é toda a dor que me inquieta
perdem-se as algas vermelhas que seguram a memória
toda a extensão do oceano
larga-se num futuro inebriante mas difuso

estou a morrer
pelo canto da minha voz no poema volátil da existência
pela a idade, pelo mestre sem rosto

tudo é gelo na serenidade deste silêncio
agora sei que o mar também arde na morte

na praia, só o meu corpo e a água
e só o meu olhar caminha dolente na infância

a memória crava-se na areia
o que vi ficará no retrato do poema
como dentro de uma garrafa perdida no mar projectando-me noutro silêncio

Publicado por constalves em janeiro 7, 2004 09:43 PM
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