
poema aquecido por um cigarro
toda a manhã
num copo de água
e um violento sorriso
explícito
na luz íngreme
dos seios da
empregada de bar
um cigarro aquece o poema
como o limite do tempo
Trago para a escrita
o espaço por detrás dos olhos
de todo os clientes
que bebem todo
o sol
que tece a teia branca que
nos une no momento #1501
da sequência métrica de um destino aberto
se somos robots não sabemos
depois cada um, em casa
desfiará o novelo
das pálpebras cheias
que leram o dia
eu fumarei
outro cigarro
compondo palavras
como no cubo Rubik
formando geometrias poéticas
que farão da memória outra luz
como esta manhã
beberei água
pedirei um café
beberei água
pedirei um café
beberei água.
Ou não será o sol aquecido por um cigarro?