
agora tenho todo o tempo
agora tenho todo o tempo
para a voz
para o poente mágico
para este girar de mãos de palmas contra palmas
ver os jovens no ínicio do caminho
sonhar neste lago de tempo que se presta macio no roçar do vento
Eh lá barqueiro , como se chama esta barca doce como o açucar do limbo?
-Corpo feito tempo!
de palavra "Idade"
já se dançam os ritos com as fogueiras suspensas
As Babilónias deslizam nos rios
como se chamam, como se chamam?
não é plural é um singular: Razão!
E este sangue vermelho que se vê de branco suave?
este sonho tão largo como o mar?
-É o amor!
Este junco de palavras nos antebraços pousados na cadeira?
estes verbos de alabastro procurando o vento?
esta linha arábica de tons breves que se abre no mapa?
um sorriso sustenido na pauta das janelas em arcos góticos?
e tudo na imagem que vejo para além do horizonte?
-É o segredo, para outros é a vida
e será, barqueiro, que posso entrar na barca?
-Nunca saíste dela, só que agora compreendes o vento, vês a memória!
Irmão barqueiro para onde vais?
-Agora já não há meta, és o tempo!
Sou o tempo! sou o tempo...
Publicado por constalves em janeiro 30, 2004 04:11 AMBelo poema, Constantino.Apaixonado, o poema.Parabéns.
Beijos
Afixado por: eugênia em fevereiro 1, 2004 10:26 PM