fevereiro 10, 2004

um passeio pelo frio

um passeio pelo frio

a Al Berto
e a O. Bittar

toda a calote atmosférica seca e fria
todos os sorrisos em atmosfera
e há um corpo silente que passa na cor sem luz

as coisas apagadas que passam por nós são segredos
e neste frio de lâminas não há verdades
e um fio aquece o mocho
e o seu pio aparece chaga

são as dores da Terra, do corpo
e de tudo o que somos.
a noite é o medo, o nosso caminho certo

Sou uma borboleta branca que passa indízivel e sem som
como um corpo no espaço atirando-se à água

E há tudo cá dentro que não se percebe por fora
o frio não entra, o calor não sai

Há precípicios na pele, rostos nas palavras malditas
os percursos são como árvores estendidas desertas de corpos,
nos ramos e nas folhas que não existem há paradoxos abertos por nós

e tudo turbilha no vento dos olhos
visões esplêndidas cintilam na morte,
são todos os suspiros que se sabem
há matos por beber para se ir mais longe

e sempre aquele frio
e sempre a pele
e sempre
os percursos
e as árvores
e os corpos
as palavras na métrica opaca dos signos...

não há fogos para abrir o cérebro
há sorte e azar

há o destino
há o poema que salva!

Publicado por constalves em fevereiro 10, 2004 09:24 PM
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