um passeio pelo frio
a Al Berto
e a O. Bittar
toda a calote atmosférica seca e fria
todos os sorrisos em atmosfera
e há um corpo silente que passa na cor sem luz
as coisas apagadas que passam por nós são segredos
e neste frio de lâminas não há verdades
e um fio aquece o mocho
e o seu pio aparece chaga
são as dores da Terra, do corpo
e de tudo o que somos.
a noite é o medo, o nosso caminho certo
Sou uma borboleta branca que passa indízivel e sem som
como um corpo no espaço atirando-se à água
E há tudo cá dentro que não se percebe por fora
o frio não entra, o calor não sai
Há precípicios na pele, rostos nas palavras malditas
os percursos são como árvores estendidas desertas de corpos,
nos ramos e nas folhas que não existem há paradoxos abertos por nós
e tudo turbilha no vento dos olhos
visões esplêndidas cintilam na morte,
são todos os suspiros que se sabem
há matos por beber para se ir mais longe
e sempre aquele frio
e sempre a pele
e sempre
os percursos
e as árvores
e os corpos
as palavras na métrica opaca dos signos...
não há fogos para abrir o cérebro
há sorte e azar
há o destino
há o poema que salva!