
Sonho de uma noite de Verão
Sonho de uma noite de Verão
No Rossio mete na Betesga
Na peripécia da lua, chove
Chove muito esta noite
De S. João e Carnaval
Os espectadores são fantasmas!
É Carnaval. Ninguém leva a mal
A noite de S. João e se
O país do amor é uma ilusão
O paraíso existe
Há um, eu hei
Há uma rua clara
Só hoje se quebra a quatro parede
É a hortelã sensual do Tejo
Vamos fazer o oceano claro
E voar
José Gil
PS: Teatro Nacional D. Maria II
Sábado 21 de Fevereiro 2004
II
Teatro nacional em tarde de Carnaval
Quantos dias e quantas horas levaram
Estas crianças e estes jovens
A preparar o guarda-roupa e a maquilhagem
É único este dia em que no palco estão mascarados e
na Plateia as crianças e alguns adultos também mascarados
Afinal onde estão os actores? E os espectadores?
O Carnaval é o dia mundial da pessoa do espectador
Na rua o Rei D. Pedro V atravessa a minha ilusão
De voar até ao Brasil com o grito do Ipiranga
Nos camarins os actores preparam o
Melhor espectáculo da sua vida. E tu? E eu?
Aproveito para tirar a máscara cinzenta das grandes cidades
Que morder contigo nos campos abandonados
Porque vive tanta gente nesta cidade
Porque vive tanta gente
E porque morrem as aldeias, as vilas
Como esqueletos de Belver a Ferreira
De Castro Verde ao Pego, Cortes
A Maririnha.Crescem os prédios e os carros
E o governo come bananas de gasolina
Tudo isto mexe com a minha alma de pastor
Para que é que há-de haver Governo?
Justifica-se em 2004 na Europa um governo?
Para quê?Será que sem governo as manhãs não
Nasciam, as árvores não davam fruto
Desculpem os poetas não se devem interrogar
Sobre a politica mas só uma pergunta
Se não há cultura como há Ministro há tantos anos ?
Se não há agricultura e querem destruir a pesca e a floresta
porque há Ministério. secretarias de estado, directores regionais?
Se não tropas se não há inimigos se não
nos temos que defender de nada de nenhum outro país
Porque há ministério? Eu sei que os poetas para serem anjos
Não são políticos.
E há poesia e somos um pais de poetas ? Porquê?
Porque não há Ministério da Poesia
É evidente que se houvesse um Ministro poeta
Progressivamente podíamos reduzir
O estado a três governantes
O das finanças para nos roubar o dinheiro
O da polícia para prender os ladrões dos governos
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E o da Igreja para os absolver, amnistiar
Eu sei que estou a ir longe de mais
É que em três ministros era difícil
A paridade homem/mulher/preto/branco
Todos os tons partidários dos Tachal
Ninguém leva a mal é Carnaval
É como essa coisa da Suiça querer um Ministro
Do Mar e não ter mar
Nós não temos educação e temos dois ministros
Talvez fosse altura de três anjos tomarem
Conta deste Portugal Pequenino
É Carnaval
Ninguém leva a mal
Tive este sonho desculpem mas mais de
Três ministros nuns pais do tamanho do rio
Não é desperdício da função pública
Não é acumulação de canela e arroz doce
Com água apodrecida em poemas bomba
Não digo mais nada.
Ainda pediria a demissão dos governantes
Que se consideram a mais
Para comer uma lata de atum
E escrever um poema
Para que é que eu preciso do governo
Do Ministro da Saude
Para ficar em fila de espera
Para contabilizar os números dos que
Esperam um medico,uma cirurgia
Para isso bastava o Instituto Nacional
De estatística ou será que governar é ser
Porta voz do INE, do IPE, do INATEL
No hospital a mim basta
Um bom medico das
Urgências
Desculpem a minha cabecinha pensadora
Esqueçam, os poetas são de excessos
Comem trinta carcaças com pão e
Fumam cigarros atrás de cigarros
E amam mulheres como quem ama
As árvores, o luar e sonham
Sempre com a noite erótica e quente
Do S.João tanto Shakespeare como Strindberg
Numa noite de verão ou de Inverno
É Carnaval ninguém leva a mal
Não há governo e a lua é uma peripécia
Não há
Há governo e um buraco de ozono
Sim senhor ministro do céu superior
Sim senhor ministro do Portugal de Plástico
Em baclite verde florescente
Olho-te em cima do meu psiché ao
Lado da torre Eifel da loja dos trezentos
Ao lado de santos de plástico mande ir china
Criticas-me porque digo que há poesia
E não há ministério
Há noite e a lua não é ministra
Mas sozinha governa
Sem BM, sem Telemóvel, sem 500 criados
Queria dizer basta de hipócritas
Basta de não haver educação
E haver
O ministério do ensino inferior
E o mistério da investigação científica
O sr ministro do ensino superior
E porque é que falam do inofensivo
Insucesso do ensino da matemática
E não fecham as escolas de condução
Parto da ideia que face ao nº de mortos
E feridos em regulares acidentes de carro
Por todo o país as escolas de maior insucesso
São as de condução
Porque não faz um ranking dos mortos
E dos mutilados por Escola do Espectador A escola do ACP já
Formou tantos assassinos de estrada e a Moderna
E A antiga e a Infante D. Henrique e a da Régua
E a sagres e a nova Leiria e a de faro
Ou será que não se avaliam e auditariam
Essas escolas de formação de assassinos e suicidas
Dantes eram as prisões as escolas do crime
Hoje são estas escolas privadas de condução
E ainda dizem que o privado é que é bom
Será que um pai com 30 anos de carta não
Pode creditar um filho para conduzir
E que o código, a mecânica e a ética
Não poderiam estar incluídas no ensino
Obrigatório.Não será o carro depois
Do telefone a maquina com mais utilizadores
Desculpem eu queria falar de pombas e
Liberdade
Os poetas deviam é estar calados e escrever
Um pombo numa gaivota
A parede branca
Só fantasma e as linhas de Doze
Mas não sou O Senhor dos Azeites
O novo Messias
Não recebo energias, não quero Jesus
Nem Mao, nem Lenine
Nem Bush
Quero –te a ti flor, cravo
Sou cão ou aranha, sou mula
E dou coices
Beijo e amo em excesso
Meu irmão
Tem coração ou vendaval
É Carnaval
Não leves a mal
Os governantes "Cheiram mal da boca"
Constantino Alves
José Gil
Carnaval 2004-02-21 Pedralvas
Taxi-Rossio,Bairro alto, Damaia, Benfica
ADOREI!!
QUE ENCANTO!!
ESPERO QUE CONTINUEM EM CENA POR MUITO TEMPO.
PARA TI LILIA MATOS: ÉS ESPECTACULAR!
BOA SORTE E MUITAS FELICIDADES