abril 06, 2004

manhãs esplêndidas

manhãs esplêndidas


se da geometria saísse
para fora,
para a rua, a vida,
podia encontrar círculos e circunferências
bebidos pelas árvores
e pelas homónimas pessoas,
circulando ,rápidos, nas ovais derretidas com rodas e guiadores de chocolate
nos seus , súbitos e matinais desejos
de arcos góticos acompanhados
por cânticos onomotopeicos
de pássaros, triângulos equiláteros brilhantes.
Dos raios do Sol encontraria semi-rectas iniciais
que disseminavam os adjectivos mais sublimes,
sobre as cidades abertas ao novo dia.

Continuaria, se saísse da geometria, no percurso
breve da rua, no meu olhar vertical e substantivo
para os troncos de pirâmide de âmbar e alvenaria
que a aurora descobriria linear e perspectiva.

Do verbo e do cone faria a poesia concêntrica
e intrasitiva como um óculo de pétalas rosa
que visse o mundo como também é.

Os rectângulos e os quadrados homógrafos
funcionariam como um ludo de crianças

e tudo não seria engano ou doença,
nem os ruídos são como sempre se ouve,
nem os gritos, nem os rastos, nem as sombras,
nem os gases e as poeiras, nem os homens , nem as mulheres
acordam desfeitos pela erosão

há manhãs diferentes
todas as manhãs são outra coisa também,
depende do Sol
e de mim.

Publicado por constalves em abril 6, 2004 12:56 PM
Comentários

Belíssimo, Constantino.
Um beijo.

Afixado por: Márcia em abril 6, 2004 02:28 PM

Bela... Geometria.

Beijo

Graça :)

Afixado por: Graça Carpes em abril 7, 2004 03:37 AM

É bom vir e ler-te.
Beijos
Silvia

Afixado por: eugênia em abril 7, 2004 11:17 AM

...sim, há manhãs diferentes mesmo quando acordo igual, entre as mesmas paredes e com as sensações do sonho de anteontem...belo poema...

Afixado por: Dânae em abril 10, 2004 05:58 PM