abril 17, 2004

Ítaca

Ítaca

Podia ir ao tempo
buscar cordas e missangas
presentear-me de medos e de animais extintos
imaginar tempestades
sentenciar campos de algodão com escravos
puxar para cá a palavra Liberdade, prometida.

Olhariam para mim como um poeta.
E essa verdade continuaria eficaz.


Mas eu apenas quero que os líderes prometam
que se vão embora e não sujem as palavras.
Os alentejanos que cantam o passado no seu coro colectivo
desejam

Quem bebe a bica em Leiria deseja


Quem corta alfaces no Valado deseja


o padre deseja


Vão embora homens do Poder,
deixem o desejo florir

Queremos Ítaca para sempre

Publicado por constalves em abril 17, 2004 10:54 AM
Comentários

Grandiosa e humana... Poesia!

Beijo

Graça :)

Afixado por: Graça Carpes em abril 18, 2004 05:24 PM