
Ítaca
Podia ir ao tempo
buscar cordas e missangas
presentear-me de medos e de animais extintos
imaginar tempestades
sentenciar campos de algodão com escravos
puxar para cá a palavra Liberdade, prometida.
Olhariam para mim como um poeta.
E essa verdade continuaria eficaz.
Mas eu apenas quero que os líderes prometam
que se vão embora e não sujem as palavras.
Os alentejanos que cantam o passado no seu coro colectivo
desejam
Quem bebe a bica em Leiria deseja
Quem corta alfaces no Valado deseja
o padre deseja
Vão embora homens do Poder,
deixem o desejo florir
Queremos Ítaca para sempre