setembro 04, 2004

Mais um dia negro de Setembro

Mais um dia negro de Setembro


chega aos meus ossos o sangue da Ossétia,
cegam-nos lágrimas de dor feita de revolta.

não há paz na verdura deste mar de S.Pedro,
não há paz na brancura das flores do Jardim Camões,
não há tempo na secura dos nossos lábios sensíveis.

Não há amor nas minhas mãos que afagam os meus filhos,
nem o sol claro me podia dar agora esperança e consolo.

Há morte e desespero na Ossétia e isso invade todo o mundo,
as coisas que tocamos, os outros que amamos.

chove na rua, o céu cinzento de nuvens,
mais um dia de Setembro negro,
a paz prendida,
a dor solta!

Publicado por constalves em setembro 4, 2004 09:56 PM
Comentários

Chove em mim...

Afixado por: Maria Branco em setembro 5, 2004 12:02 PM

E da negrura de mais um dia, saiu esse poema. Há sempre uma oportunidade para a poesia...
Abraço

Afixado por: Carlos em setembro 9, 2004 02:26 PM

chovem os sons e os ossos de promessas
a arder,
os sóis que caem dos meus olhos
e se empalidecem quando te
vejo, tremeluzente,
a um canto.

Os demónios da terra arribaram
e destruiram as estátuas
construídas com as nossas
lágrimas e substituiram
a pedra pelo sangue.

Nem as crianças escapam
à fúria dos deuses malditos

Jorge

Afixado por: Jorge Vicente em setembro 18, 2004 09:45 PM