novembro 21, 2004

Natal


um natal começa a nascer aqui,
nas minhas mãos em concha à beira desta fonte, no meu e teu olhar,
na tua leitura do meu poema.

Uma criança faz um abrigo de canas, um velho aquece-se na lareira às cinco da tarde, há menos pressa da multidão com o frio da noite a chegar.


O teu beijo morno torna-se maternal e há todo o silêncio de uma flor a desabrochar no parapeito da minha janela. As palavras, coisas nossas de dentro, desfilam numa melopeia intensa no nosso coração, sem vírgulas e pontos finais construíndo poemas morais e desenvoltos num misto de esperança e serena tristeza.


Nas minhas mãos em concha, no teu e meu olhar construímos presépios de segredos que habitam abrigos de canas e memórias de velhos à lareira às cinco da tarde.

A multidão junta-se ao fim da noite em cada família por detrás dos xailes de lã
, nos sofás à frente da rotineira tv criando, fazendo laços de tempo e silêncio , cadinhos da mágica que vai nascendo nos corações.


Tu lês o meu poema e eu sei que neste frio há um fio quente de palavras
que enchem o nosso silêncio. Coloco-me na janela de nariz esborrachado como na montra de Natal, o lusco-fusco é a prata e as pessoas, como nós,vagarosas nos passos e quente nas palavras, são os presentes vivos da constância do amor.

Depois de toda a calamidade, vem vindo o Natal.

Publicado por constalves em novembro 21, 2004 07:07 PM
Comentários

Constan...Quão agradável é a tua lavra. Entre janelas um olhar que espreita a vinda que anuncias.

bj.

Afixado por: Eduarda em novembro 22, 2004 01:09 PM

O meu Natal começou agora, aqui.. Com o calor das tuas palavras.. sentidas em abraço!
Belo!
Beijos

Afixado por: Maria Branco em novembro 23, 2004 03:29 PM

Um belo, belo poema, Constantino.

Beijos

Afixado por: Silvia Chueire em dezembro 1, 2004 09:59 PM