
Um engenheiro bebe uma bica rápida e cria estrofes de betão
Com palavras mágicas de madeira propensa e densa à palavra não. Um torneiro embalsama
Metáforas e parábolas em pirâmides gizadas por Arquitectos ingénuos, perplexos, bebendo chás
De ervas finas em pleno deserto. Um Matemático equaciona a simétrica palavra reflexa que encanta o narcísico tenor
antes do espectáculo de Ópera “ Adónis e Vénus” no Casino Royale e trés, trés speciale. Uma corista declama uma ode periférica de certo autor no cimo de um barroco monumento de arte Déco. Um geógrafo sobrepõe um adjectivo a uma declinação exausta de pouco uso “porque a língua estava morta” e o médico operava próteses de onomatopeias
barulhentas e ruidosas que punham fim à comunicação. O político teimava na construção. O sacerdote cosia o breviário, desfolhando mil uma vez sem conta sem qualquer explicação. Um farmacêutico goteja uma lágrima de António Gedeão. O Metalomecânico aspira carvão. O Comentarista tropeça na palavra senão. José compõe sinfónicamente ao piano a palavra não , O caçador foge do leão. Renato, no microscópio, encontra Deus zombando
ironicamente de um charlatão. O professor elabora o processo que o advogado discorda. O enfermeiro mata. A dactilógrafa despede o patrão. O sindicalista ora no confessionário. O pastor não concorda com que o lobo sonha. O jardineiro almoça enquanto cresce uma amora. Josefina não é grande palavra e não namora. O mundo retorna.
Um aguadeiro não bebe água. Uma vedeta morre sem cheta.O lixo no lixo. Às três hora vem o cirugião. O papão não vem.
Não há
Não pode vir
O poeta bebe uma bica na mesa do lado do engenheiro.
São sete da tarde, um operário morre na construção! Uma mãe tem fome.
Publicado por constalves em dezembro 3, 2004 12:00 AM
viva
não encontrei um mail para pedir informações sobre poemas acerca da Nazaré. vi coisas que interessam a uma antologia. por favor, digam qualquer coisa para. obrigado.