A lista de Escritas está escrever o poema (colectivo) "Infinito", um poema também sem fim. Porque não te juntas a nós em Encontros de Escrita e aderes à nossa lista de criação poética?
O poema já vai assim...
INFINITO
É verdade óbvia, do Infinito não se parte,
E nunca se chega, nesse mar só há caminho .
Precisamos de uma barco
para estender a esteira do destino,
diluir as roupas frias da noite,
afogar máscaras de silêncios brancos.
Canta-se uma dor no cais da partida,
um pássaro negro amedronta
os marinheiros da viagem, soa o apito da bruma .
Conversa-se devagar,
a corrente oceânica puxa o momento.
Errante o corpo escolhe a base de granito
em duas ancas escultóricas junto ao sol
o infinito vai do Lordelo do Ouro
ao Rio Grande do Sul
plinto de pedra e doce
de docente busto
integrado entre as sílabas
ressurgimento rural e metafísico
na intimidade das orelhas do sal
procuramos sem harmonizar
a intima terra
É levemente o inicio colectivo
toco a flauta do afecto do talento
como um rio do Genesis
abre-te suave flor aos meus dedos
à luz da alegria
vibro contigo a fábula sem fim
escrevo nas prospecções arqueológicas
dos sentimentos dos óleos e das águas
habito o subsolo da Igreja Romântica
de S. Cristovão - donde partem as novas asas
as novas aves. Sou um pré- cristão performativo
as estátuas das tuas ancas esperam-me
"forgeries love and olther matters"
é o espectáculo que te proponho
o Infinito é esperança azul
é estrela d'oiro reluzente.
fica ali
quase à mão de uma criança.
Fica além onde deus se exilou.
Fica perto longe
zénite,
azimute.
Do Infinito não se parte
não se chega.
Apenas o sonho o trespassa.
Para lá do Paquistão, no deserto, como uma missão afectiva
abraço a romã vermelha do teu seio e o sol infinito do teu olhar
como uma coreografa de "Mystic River" com um chocolate
não podemos escrever todos os dias , mesmo com Haendel
cantado o Messias de burca, cairei no teu vale negro
como a ópera "A Floresta" de Sofia
Se não fechas a boca comemos a estrelicia e os seus cones
brancos, amarelos e verdes da solidão mais só e dolorosa
olha-me novamente com o desejo de um beijo único de dragão
O fogo canta "Strange Transmission" de Norah Jones nas piramides
antigas do Egipto mais arcaico destas saudades em sombras
de passado
Os poetas fazem sempre ligações de alto risco e enlouquecem
com morangos simples, no comboio mágico até ao infinito
Pelas trombas d'água, viajando em sílabas entre as colinas
sinuosos dragões verdes beijam em cada gota um sabor
De viagem ad eternum o gosto de festa nos pés,
arcaicas saudades que se adiantam ao corpo
Levemente pousadas em solo movediço:
pão, colo e goiabada comida às dentadas
A intimidade queima nas orelhas
em línguas que nunca foram matemáticas
Finda a procura em convulsivos movimentos
e na busca do oceano profundo vem o mar
O cerne
O infinito estado
do ser.
As velas brancas do silêncio
São como as paredes do meu quarto,
Um acto perpendicular de solidão.
No navio sou como aquele homem solitário
Debaixo da pala de Siza Vieira, sem destino, absorvendo infinito.
(continua)
Constantino Alves , José Amor, José Gil, Sonia Regina...
Publicado por constalves em dezembro 11, 2004 12:10 PM