dezembro 11, 2004

Infinito

A lista de Escritas está escrever o poema (colectivo) "Infinito", um poema também sem fim. Porque não te juntas a nós em Encontros de Escrita e aderes à nossa lista de criação poética?

O poema já vai assim...

INFINITO


É verdade óbvia, do Infinito não se parte,

E nunca se chega, nesse mar só há caminho .

Precisamos de uma barco

para estender a esteira do destino,

diluir as roupas frias da noite,

afogar máscaras de silêncios brancos.

Canta-se uma dor no cais da partida,

um pássaro negro amedronta

os marinheiros da viagem, soa o apito da bruma .

Conversa-se devagar,

a corrente oceânica puxa o momento.

Errante o corpo escolhe a base de granito

em duas ancas escultóricas junto ao sol

o infinito vai do Lordelo do Ouro

ao Rio Grande do Sul

plinto de pedra e doce

de docente busto

integrado entre as sílabas

ressurgimento rural e metafísico

na intimidade das orelhas do sal

procuramos sem harmonizar

a intima terra

É levemente o inicio colectivo

toco a flauta do afecto do talento

como um rio do Genesis

abre-te suave flor aos meus dedos

à luz da alegria

vibro contigo a fábula sem fim

escrevo nas prospecções arqueológicas

dos sentimentos dos óleos e das águas

habito o subsolo da Igreja Romântica

de S. Cristovão - donde partem as novas asas

as novas aves. Sou um pré- cristão performativo

as estátuas das tuas ancas esperam-me

"forgeries love and olther matters"

é o espectáculo que te proponho


o Infinito é esperança azul

é estrela d'oiro reluzente.

fica ali

quase à mão de uma criança.

Fica além onde deus se exilou.

Fica perto longe

zénite,

azimute.

Do Infinito não se parte

não se chega.

Apenas o sonho o trespassa.

Para lá do Paquistão, no deserto, como uma missão afectiva

abraço a romã vermelha do teu seio e o sol infinito do teu olhar

como uma coreografa de "Mystic River" com um chocolate

não podemos escrever todos os dias , mesmo com Haendel

cantado o Messias de burca, cairei no teu vale negro

como a ópera "A Floresta" de Sofia

Se não fechas a boca comemos a estrelicia e os seus cones

brancos, amarelos e verdes da solidão mais só e dolorosa

olha-me novamente com o desejo de um beijo único de dragão

O fogo canta "Strange Transmission" de Norah Jones nas piramides

antigas do Egipto mais arcaico destas saudades em sombras

de passado

Os poetas fazem sempre ligações de alto risco e enlouquecem

com morangos simples, no comboio mágico até ao infinito

Pelas trombas d'água, viajando em sílabas entre as colinas

sinuosos dragões verdes beijam em cada gota um sabor

De viagem ad eternum o gosto de festa nos pés,

arcaicas saudades que se adiantam ao corpo

Levemente pousadas em solo movediço:

pão, colo e goiabada comida às dentadas

A intimidade queima nas orelhas

em línguas que nunca foram matemáticas

Finda a procura em convulsivos movimentos

e na busca do oceano profundo vem o mar

O cerne

O infinito estado

do ser.

As velas brancas do silêncio

São como as paredes do meu quarto,

Um acto perpendicular de solidão.

No navio sou como aquele homem solitário

Debaixo da pala de Siza Vieira, sem destino, absorvendo infinito.

(continua)

Constantino Alves , José Amor, José Gil, Sonia Regina...

Publicado por constalves em dezembro 11, 2004 12:10 PM
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