
Lembras-te daquele fio de lágrima no teu seio,
um rio de preces impossíveis?
uma pergunta que agora jorra do meu punho do desespero.
Tece aquele gesto com o silêncio quente
dos teus lábios, um imperativo da minha saudade.
Lacre e fogo rasgam-me a fenda das palavras no rio morto do meu peito.
já não nascem flores no jardim vetusto da saudade.
Há uma lua partida por detrás
do luar inteiro da memória dos teus olhos.
Percebo o ciúme no áspero frio da noite imposta.
Todos os ventos saíram em vendavais.
Só eu espero!
Só eu tenho a mágoa.
Só eu formigo o silêncio
Só eu sou a dor no hárem de nuvens que iluminam a prece.
A voz freme o vazio opaco da distância.
Começam as pétalas um segredo.
O sangue corre branco.
No futuro tudo começa.
O meu corpo cai no túmulo.