
a partir de um documento sobre "pão" na revista CAIS - um excelente artigo sobre este tema de uma excelente associação de apoio aos sem abrigo
“Quem tem fome sonha com pão”,
No musgo verde a broa fria.
Um círculo de carne, humús da vontade. Boca
E cereja, o umbigo rente à língua, em calda
e ao sonho.
Nos mosteiros, os Jerónimos, com o povo.
melhores que as palavras, porque dizem o sol, as mãos suadas,
um corpo que vai daqui para as pernas, dos pés para as mãos.
O que desenham os feijões?
No teu corpo apenas as ancas quentes e a rua longa.
Ai! Se eu pudesse pôr um rio líquido de pão nos peitos,
nos verbos, a levedura da memória mesmo no luar verdadeiro
como lava inquieta devorando o verdete do sentimento.
Se o pão pudesse ser uma janela,
Todos os dias à mesma hora, o padeiro,
De manhãzinha, servindo versos de farinha
em Belém, para falar dos pássaros
no rio do trigo e inventar uma areia de luz
e luz e luz e grãos.
Pão que projectas a rocha mais divina e delicada.
Pão que é sítio da palavra.
Mar de ostras de cevada, anjo de milho, no meu caminho
Vou e volto, volto e vou da casa à alma, do céu aos altos.
Constantino Alves, José Gil e Sónia Regina 25/12/04
Publicado por constalves em dezembro 26, 2004 03:29 PM