dezembro 26, 2004

Museu da Poesia



Crua a palavra em pequeno bloco

Na laranja mecânica da cidade à noite.

Estátua viva de sal, a poesia não morde

O museu nem a imortalidade,

Antes escorre lânguida entre os espaços que a imagem deixa.

Correm as cortinas de Buñuel a Lorca na Península de pedra.

Freud escreverá a D. Quixote um poema em bronze nos moinhos,

as santas pombas das velas da saudade.

Quem matará o tempo que o poeta vive no limbo do texto?

Parte-se a vitrine dos Etruscos, emergem as atelanas romanas,

Abre-se a boca dos gregos,

Homero é a Pátria do verbo.

Bate a palavra no soneto de Petrarca,

Matraca o hacai de Bashô,

Solta-se a Divina Comédia

Na moldura do circo romano,

O soleil de metáfora em metáfora.

Cesariny sai da pastelaria da miniatura do museu.

Lurdes da Costa desenhará as sombras

Onde Noronha da Costa escreverá a luz,

Porque não se ouve nada além do vento

No que sobrou das embarcações dos Fenícios.

Olhe só! Ele olhando a morena,

Quem é? Só pode ser Vinicius

Eterno enquanto dure a poesia.

Resta-nos o sabor de Belém.

Constantino Alves, José Gil e Sónia Regina 25/12/04


Publicado por constalves em dezembro 26, 2004 03:32 PM
Comentários