
Rasgo a folha da alma na cicatriz do olhar perdido
Na curiosidade do túnel, o olho escuta cada som
Que a imagem já não revela, sente…A isso chama
O velho visão: um medo, um pânico, o sulco de espelhos
Freme a placidez do sólido opaco, o vértice das águas
Das palavras amigas infinito, recto, musico, amigo
O poeta perdeu todos os sentidos
Como cogumelos toca e não sente
Olha e não vê, só há já o mar
Onde me lanço, onde o meu coração
Ganha o movimento em cada um dos
lábios do búzio aberto e solto na areia à deriva
rasga-se o poeta na deriva cicatrizada
como carne viva e verde
todo o rasgo do nada acompanha o
concerto do poeta
o olho já é estômago
uma tripa de rimas
e de métricas virguladas
harpas de sódio sincopadas
ais e sais que fazem os novos, as
princesas e os monges
a beleza é aquela meta
que não se vê , saboreia-se
não se chega, só na sede
ou a seda caindo no chão
devagarinho mostrando
todo o corpo nú
o poeta desculpa-se
perdeu mesmo toda a razão
dói a sílaba,da avenida da estrela polar
que só brilha onde não há cruzeiro do sul
quando o vento é do norte
Constantino Alves, José Gil e Sónia Regina 25/12/04
Publicado por constalves em dezembro 26, 2004 03:34 PM