dezembro 26, 2004

O OLHO ESCUTA



Rasgo a folha da alma na cicatriz do olhar perdido

Na curiosidade do túnel, o olho escuta cada som

Que a imagem já não revela, sente…A isso chama

O velho visão: um medo, um pânico, o sulco de espelhos

Freme a placidez do sólido opaco, o vértice das águas

Das palavras amigas infinito, recto, musico, amigo

O poeta perdeu todos os sentidos

Como cogumelos toca e não sente

Olha e não vê, só há já o mar

Onde me lanço, onde o meu coração

Ganha o movimento em cada um dos

lábios do búzio aberto e solto na areia à deriva

rasga-se o poeta na deriva cicatrizada

como carne viva e verde

todo o rasgo do nada acompanha o

concerto do poeta

o olho já é estômago

uma tripa de rimas

e de métricas virguladas

harpas de sódio sincopadas

ais e sais que fazem os novos, as

princesas e os monges

a beleza é aquela meta

que não se vê , saboreia-se

não se chega, só na sede

ou a seda caindo no chão

devagarinho mostrando

todo o corpo nú

o poeta desculpa-se

perdeu mesmo toda a razão

dói a sílaba,da avenida da estrela polar

que só brilha onde não há cruzeiro do sul

quando o vento é do norte

Constantino Alves, José Gil e Sónia Regina 25/12/04




Publicado por constalves em dezembro 26, 2004 03:34 PM
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