o poema vem pequeno,
na brisa leve do pó.
Insinua-se letal para o ódio e para as sombras
das palavras.
Emerge como uma estátua por entre o corpo
e a alma, faz voz nos ombros, transfigura-se de navio
na proa do verbo,
rebenta as águas dos segredos, ama a tua pele,
difunde-se no éter da paixão.
Mas ainda não é Poema, precisa do poeta-leitor.
Só assim as águas dobram o tempo,
se faz a crase da dúvida,
se inicia a viagem à volta do Universo na demanda
do cálice da água pura.
Um dia o poema pára como folha seca, no chão. De onde se fará o pó
que fará a nova palavra
que procurará o poema
na língua mais molhada , no desejo mais sincero
no imperativo mais letal da criação
Não haverá fim, não, nas palavras não!