fevereiro 27, 2005

Ao Encontro de Ruy Belo

No Semana da Poesia -21 a 28 de Fevereiro 2005

na Sala Polivalente da Biblioteca Municipal

de Rio Maior.




Nasce a memória do poeta na poesia imaculada, saída

apenas das palavras que são ditas e recontadas

como se a oralidade ganhasse um novo fogo

e desse fogo caísse vinho, e o cálice fosse um néctar

sem nome, apenas um poente vermelho na serra calma

do meu país do nada, vivo entre as árvores e vou

brincando com as capelas incompletas ,imperfeitas

rasgarei os poemas nestes dias de Inverno, gelados

quando este rectângulo se empobrece , e definha

entre palavras ocas que se espalham em chuva que não cai,

por este céu que se estende da Terra Chã a São João da Ribeira,

o céu que te cobriu naquele longínquo 27 de Fevereiro quando escreveste o teu primeiro verso.

Aqui sente-se, a erupção da palavra como uma enxada

Que abre uma árvore.

Que se derrame a seiva ácida e inteligente sobre o urro da sombra.

É difícil estar com palavras no pé do teu túmulo quando toda a luz que conseguirmos fazer não chegar para iluminar a calote de céu que te cabe. Serei só uma testemunha que confirmará que o sol subiu neste dia.

Rezarei. A St. Teresa da Serra de Pilatos,

Stª Andrea dos novos Mundos

é nelas que dos dias tristes me defendo

S. Márcia de todos os momentos, quando

neste território de alegria , o som e o norte

deixa esta marca nas próprias pedras




Jorge Vicente, José Gil, Constantino Alves e Manuel C. Amor

Rio Maior, Restaurante Terra Chã, 27 de Fevereiro de 2005

Publicado por constalves em fevereiro 27, 2005 11:10 PM
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