
No Semana da Poesia -21 a 28 de Fevereiro 2005
na Sala Polivalente da Biblioteca Municipal
de Rio Maior.
Nasce a memória do poeta na poesia imaculada, saída
apenas das palavras que são ditas e recontadas
como se a oralidade ganhasse um novo fogo
e desse fogo caísse vinho, e o cálice fosse um néctar
sem nome, apenas um poente vermelho na serra calma
do meu país do nada, vivo entre as árvores e vou
brincando com as capelas incompletas ,imperfeitas
rasgarei os poemas nestes dias de Inverno, gelados
quando este rectângulo se empobrece , e definha
entre palavras ocas que se espalham em chuva que não cai,
por este céu que se estende da Terra Chã a São João da Ribeira,
o céu que te cobriu naquele longínquo 27 de Fevereiro quando escreveste o teu primeiro verso.
Aqui sente-se, a erupção da palavra como uma enxada
Que abre uma árvore.
Que se derrame a seiva ácida e inteligente sobre o urro da sombra.
É difícil estar com palavras no pé do teu túmulo quando toda a luz que conseguirmos fazer não chegar para iluminar a calote de céu que te cabe. Serei só uma testemunha que confirmará que o sol subiu neste dia.
Rezarei. A St. Teresa da Serra de Pilatos,
Stª Andrea dos novos Mundos
é nelas que dos dias tristes me defendo
S. Márcia de todos os momentos, quando
neste território de alegria , o som e o norte
deixa esta marca nas próprias pedras
Jorge Vicente, José Gil, Constantino Alves e Manuel C. Amor
Rio Maior, Restaurante Terra Chã, 27 de Fevereiro de 2005
Publicado por constalves em fevereiro 27, 2005 11:10 PM