março 08, 2005

dia da mulher


No dia da mulher eu quero falar de uma
que tem olhos claros e cabelo preto, tez branca,
que fala uma língua que não conheço, com uma cultura
diferente da minha, com um riso igual à minha irmã.
Foi moça, namorou e foi professora de piano. Morreu
queimada em Auchvitz em 1944. Vive no desespero,
no mesmo sítio da alma em que vivem outras com outra tez,
que fazem, hoje, outras coisas. Que morrem também de outras coisas más.
Como de aborto clandestino e de violência doméstica e que amanhã não vão festejar com falos no bolo rei. Falo da dor e da indignidade.
Do que falta fazer. Do que é impossível esperar.

Publicado por constalves em março 8, 2005 01:43 AM
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