
Agora é tudo plano,
um chão de erva seca
tapeteia o caminho.
Assim tudo é fácil quando estou morto,
o capital não me dá a volta ao estômago
e a miséria depois da janela de minha casa
é longe e alheia às minhas palavras assépticas
dos meus poemas queridos.
Era preciso de facto nascer de novo, para ver o enxofre
que cobre o mundo. Isso é impossível quando se está morto.
Todas as estrelas estão presas em sonhos infinitos de uma
ingénua puberdade. O resto é carne seca pronta para o epitáfio
de um qualquer discurso politico. Deus permita que Cristo não desça à Terra.
Seria outra vez mais díficil fazer sexo livre e gratuito (e menos seguro).
Continuarei morto mesmo se fizer-se luz ao fundo do túnel.
Os diamantes da minha existência estão no testamento que fiz ao mar, que é o único omnipresente que fala e é sempre mais que tudo que eu conheço.
Não nascerei de novo, nem como cão ou pássaro, a dor continua da existência também é por eles sentida. Não serei flor, alguém não me permitirá.
O mundo rodará mais alguns milhões de vezes. E eu verterei milhões lágrimas.
Publicado por constalves em março 14, 2005 12:47 AM