as camélias germinam na poesia,
como a semente num verbo, como a lua sempre nova,
como uma criança encontra uma palavra.
E todos eles criam este dia de chuva clara,
fazem as amendoeiras ainda com flor.
Faltam-me nomes e poetas no arco da fonte da minha magia,
tudo é anónimo no amor, na paixão, na nossa envergonhada vontade
de viver.
As camélias germinam na poesia, amarelas do doce
das ideias, da alegria dos montes e das árvores. Das palavras nascem dias com
ventos de verbos e poesia. Tudo é exercício, mesmo a ordem para viver, na existência podemos criar as camélias, elas que germinam da dor.
Os dias claros, fazem luas ao sol.
os sinos não dobram pelos defuntos porque há rios
que germinam de camélias em flor.
As crianças estão escondidas, mas eu oiço o seu riso
na chuva clara da Primavera cheia de verbos.
Um dia assim, tenho de chorar.
Publicado por constalves em abril 2, 2005 12:09 PM