
Os dias podiam ser vermelhos
Como os poentes, as cenouras ou os tomates,
Redondos como luas cheias ou novas,
Puros como os riachos, o orvalho,
Podiam ser significados sem significantes.
Opacos como as coisas de que gostamos. Âmagos.
Serpentes
E não lixo e jornais velhos
Como retratos de esqueletos nos trens
À meia hora de Alfornelos a Sintra.
Podiam ao menos ser dias, mas o Homem
Não sabe a manhã.
Pressente somente o vento…
E come demasiadas bolachas.
E os dias em palavras
São repentes.