maio 14, 2005

Sem titulo


É verdade que o poema submerge
as palavras,
percebo quando já não tenho língua
e as mãos são farrapos.
Este capuz negro
de uma tristura negra não existe na Natureza.
è um urro que surge de um poço fundo
que não existe. Vem das cordilheiras distantes.
dos chãos altíssimos do sangue.
Estes jogos que não percebo fazem-me segredos
e chocam como átomos no meu silêncio.
Serei sempre este pateta das palavras, procurando
ideias nas coisas, respostas nos verbos.
Nunca perceberei o axioma da existência.

Só perceberei outro vento.
Quando as palavras se abrirem com as
mãos em concha, tentando trazer outro mar,
para além do espelho do sal.

Publicado por constalves em maio 14, 2005 01:47 AM
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