
É verdade que o poema submerge
as palavras,
percebo quando já não tenho língua
e as mãos são farrapos.
Este capuz negro
de uma tristura negra não existe na Natureza.
è um urro que surge de um poço fundo
que não existe. Vem das cordilheiras distantes.
dos chãos altíssimos do sangue.
Estes jogos que não percebo fazem-me segredos
e chocam como átomos no meu silêncio.
Serei sempre este pateta das palavras, procurando
ideias nas coisas, respostas nos verbos.
Nunca perceberei o axioma da existência.
Só perceberei outro vento.
Quando as palavras se abrirem com as
mãos em concha, tentando trazer outro mar,
para além do espelho do sal.